Dermatose Neutrofílica semelhante à Síndrome de Sweet

Rita Carmona

Ultima atualização: 21 JAN DE 2021

Nomenclatura (sinônimos)

Dermatose neutrofílica estéril canina

Dermatite neutrofílica aguda febril

Nome em inglês

Sweet’s syndrome

Canine sterile neutrophilic dermatosis

Definição

Enfermidade rara em cães, que se assemelha à Síndrome de Sweet em humanos. Caracteriza-se por leucocitose neutrofílica, infiltrado neutrofílico na derme superior, febre e por geralmente cede ao uso de corticóides.

Fisiopatologia

A despeito da etiopatogenia pouco esclarecida, a dermatose neutrofílica estéril canina ou Síndrome de Sweet simile, representa um grupo de enfermidades raras que acometem o cão. Até o presente momento, não relatada em felinos.  Na medicina, dentre as dermatoses neutrofílicas, estão incluídas a Síndrome de Behçet, a dermatite neutrofílica reumatóide, a hidradenite écrina, a piodermite gangrenosa e a dermatose pustular subcorneal. Na veterinária também está incluída a eritrodermia pustular estéril do Schnauzer miniatura.

A síndrome de Sweet símile (SSS) caracteriza-se por lesões de surgimento agudo, eritêmato-edematosas, dolorosas, constituídas de denso infiltrado neutrofílico dérmico não infecioso ao exame histopatológico e cede bem à corticoterapia sistêmica. A maioria dos casos é acompanhada de manifestações sistêmicas tais como: febre, artralgia, mialgia e neutrofilia periférica.

Atualmente, considera-se a possibilidade de envolvimento e desregulação das citocinas: IL1, IL3, IL6, IL8, G-CSF, GM-CSF e interferon gama no desencadeamento do quadro lesional.

Pode ser classificada em:

  1. Clássica: geralmente associada às infecções
  2. Associada às neoplasias malignas (paraneoplásica)
  3. Induzida por drogas
  4. Idiopática

A causa clássica é a mais observada em cães e está associada a condições inflamatórias e/ou infecções, também à vacinação e doenças auto-imunes. Aquela induzida por drogas pode ser desencadeada por antibióticos, anti-inflamatórios e anticonvulsivantes.

A forma paraneoplásica pode responder por uma grande parte dos quadros, sendo as neoplasias hemtopoiéticas, os tumores sólidos como os carcinomas, o melanoma e as neoplasias testiculares os mais incriminados no desencadeamento do quadro. Ainda, a forma paraneoplásica é descrita somente secundando neoplasias de caráter maligno.

 

Prevalência

Considerada rara em cães, com poucos relatos em literatura brasileira e estrangeira. Não existe, até o momento, relato em felinos. Face à escassez de relatos em veterinária, fica difícil estabelecer dados acerca de predisposição racial, sexual ou etária.

Achados de Anamnese e Manifestação clínica

O quadro dermatalógico caracteriza-se pelo surgimento agudo de máculas eritematosas, polifórmicas, pápulas, nódulos com denso infiltrado neutrofílico não infeccioso e pústulas, acomentendo regiões: abdominal, torácica e de membros, havendo apenas um caso de acometimento de junção mucocutânea perilabial. Podem vir acompanhadas de febre, letargia e neutrofilia periférica, embora nem todos esses achados devam estar obrigatoriamente presentes para que se possa estabelecer o diagnóstico. Na forma paraneoplásica, por exemplo, o quadro febril, a neutrofilia ou mesmo ambos podem estar ausentes.

Imagens:

Procedimento Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos e dermatológicos e através do exame histopatológico.

Ao exame dermatohistopatológico observa-se a presença de denso infiltrado inflamatório neutrofílico não infeccioso, localizado na derme superficial e profunda. A presença de linfócitos, histiócitos e eosínófilos é raramente observada. Ainda pode-se observar edema na derme superficial que pode levar à formação de vesículas ou de bolhas. A epiderme pode apresentar leve acantose ou, ainda, hiperqueratose.

Laboratorialmente, observam-se: leucocitose com neutrofilia acentuada e aumento de provas de atividade inflamatória, como velocidade de hemossedimentação (VHS) e proteína C reativa (PCR). A presença de anemia e trombocitopenia pode estar associada a neoplasia subjacente.

 

Diagnósticos diferenciais

Piodermite profunda

Farmacodermia

Linfoma cutâneo

Tratamento

Baseia-se na identificação e correção, quando possível, da causa de base, contudo caracteriza-se por ceder bem ao uso de corticóides em doses altas. Naqueles casos oriundos de administração de fármacos, o medicamento em questão, deve ser suspenso. Nos casos de neoplasia, deve ser iniciada a terapia anti-neoplásica, e quando pertinente, a remoção cirúrgica do tumor.

Preconiza-se, inicialmente o uso de prednisona/prednisolona na dose de 2 a 6mg/kg a cada 24 horas que deve ser reduzida, gradativamente, depois de 4 a 6 semanas. Também podem ser utilizados corticóides tópicos ou por infiltrações intralesionais. Na medicina humana, está descrito a possibilidade de uso do iodeto de potássio e colchicina, porém sem relatos na veterinária.

Prognóstico

Reservado a ruim, na dependência da causa de base

Literatura recomendada

LARSSON & LUCAS. Tratado de Medicina Externa: Dermatologia Veterinária, 2ª edição, Ed Interbook, 2019

OLIVEIRA, Camila Domingues de; DIAS, Gustavo Seixas; YAZBEK, Angela; et al. Dermatose neutrofílica símile à síndrome de Sweet em um canino acometido por lúpus eritematoso discoide e neoplasia testicular. Clínica Veterinária, São Paulo, v. 16, n. 90, p. 104-109, 2011.

 

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