COVID-19 – Uma atualização para os Membros da WSAVA

2 de maio de 2021

Após nossa atualização em março, como parte de um projeto de vigilância ativa de animais de estimação pertencentes a pessoas com COVID-19 no Texas, a presença de anticorpos contra SARS-CoV-2 foi demonstrada em vários cães e gatos.

No entanto, desde março, nenhum novo caso de SARS-CoV-2 em cães ou gatos, comprovado por RT-PCR ou isolamento de vírus, foi publicado no site da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A maioria das discussões sobre SARS-CoV-2 no mês passado girou em torno dos esforços mundiais para vacinar pessoas. No entanto, em 31 de março a Rússia anunciou que havia aprovado a primeira vacina do mundo contra COVID-19 para animais de estimação.

A vacina, conhecida como Carnivac-Cov, passou por testes clínicos em cães, gatos, visons e outros animais. De acordo com os produtores da vacina, todos os animais testados desenvolveram anticorpos contra o coronavírus, o que levou à conclusão de que a vacina é inofensiva e possui alta imunogenicidade. A agência governamental que está desenvolvendo a vacina disse que as doses podem estar amplamente disponíveis em alguns meses. De acordo com o Serviço Federal de Supervisão Veterinária da Rússia, uma vacina para animais de estimação era necessária como uma forma de se assegurar contra variantes que poderiam se espalhar mais facilmente. A agência disse que desenvolveu a vacina para animais, em parte como uma ferramenta de saúde pública no caso de o vírus se espalhar de animais para humanos ou - na pior das hipóteses - sofrer mutação em animais e depois voltar a infectar humanos de forma mais virulenta.

O anúncio da Rússia, e um artigo anterior publicado em janeiro no “New York Post” sugerindo que uma vacina contra o SARS-CoV-2 para cães e gatos poderia ser necessária, alimentou discussões entre donos de animais de estimação em todo o mundo, que agora estão se perguntando se seu animal de estimação
deveria ser vacinado contra o vírus e se a vacina é segura.

Os Comitês Científico e de Saúde Única da Associação Mundial de Pequenos Animais (WSAVA) acreditam que vários fatos devem ser considerados em relação à vacinação de cães e gatos contra o SARS-CoV-2. As duas razões principais para vacinar animais são: para diminuir o potencial de transmissão zoonótica para as pessoas (da mesma forma que a raiva, por exemplo), e para diminuir o potencial de doenças significativas em animais de estimação vacinados. Embora o SARS-CoV-2 seja conhecido por infectar várias espécies animais, incluindo cães e gatos, os humanos são a fonte primária da infecção.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), atualmente não há
evidências de que os animais de estimação desempenhem um papel significativo na disseminação do vírus para as pessoas, e o risco de animais de estimação espalharem COVID-19 para as pessoas é baixo.

Não houve nenhum caso em que um cão ou um gato transmitisse o vírus às pessoas. Portanto, no momento, não há necessidade aparente de uma vacina contra SARSCoV-2 para cães e gatos do ponto de vista da saúde pública. É importante também enfatizar que, embora cães e gatos possam ser infectados pelo SARS-CoV-2 após a exposição a um ser humano infectado, geralmente as infecções são subclínicas ou os sinais clínicos são leves e autolimitantes. Além disso, nenhum cão ou gato morreu devido à infecção até o momento. Assim, a necessidade de uma vacina para diminuir os sinais clínicos da COVID-19 em cães e gatos é questionável. Os desenvolvedores da vacina Carnivac-Cov devem ser elogiados por produzir um produto que induz anticorpos contra SARS-CoV-2 em cães e gatos. No entanto, a WSAVA acredita que informações adicionais são necessárias antes do uso da vacina em animais de estimação. Em particular, estudos devem ser realizados para confirmar que a administração da vacina diminui o quadro clínico da doença e a disseminação de SARS-CoV-2 vivo após o desafio e, em caso afirmativo, qual é a provável duração da imunidade. Continua sendo nossa opinião que não há necessidade de os proprietários considerarem a vacinação de seus animais de estimação contra o SARS-CoV-2 neste momento. Como a infecção por SARS-CoV-2 em cães e gatos se origina mais comumente de um ser humano infectado, a melhor maneira de proteger um animal de estimação é vacinar o dono para que haja menor probabilidade de infectá-lo.

Dr. Michael Lappin é o atual Presidente do Comitê de Saúde Única da WSAVA e, como tal, representa a WSAVA no Conselho de COVID dos Estados Unidos. Em 8 de abril, o

“Trupanion Medical Insurance for Pets” convocou o Conselho de COVID para o último de uma série de webinars destinados a ajudar as comunidades a gerenciar a COVID19. O webinar que atingiu mais de 930.000 visualizações até o momento, contou com a presença do Diretor Adjunto do CDC /Saúde Única,

Dr. Colin Basler, Professor da Universidade de Guelph; com o Dr. Scott Weese, Diretor Veterinário da Trupanion e fundador da MightyVet; com o Dr. Steve Weinrauch, presidente da campanha “Nem Mais
Um Veterinário” (uma plataforma para cuidar do bem-estar mental do médico veterinário); com a Dra. Carrie Jurney, também membro do “Nem Mais Um Veterinário”, e com o Dr. Lappin.

Este seminário foi transmitido ao vivo e encontra-se disponível. A discussão foi direcionada aos donos de animais de estimação e foi realizada em inglês. Os palestrantes também discutiram se as vacinas contra o SARS-CoV-2 são necessárias agora ou potencialmente no futuro.

Mary Marcondes, DVM, MSc, PhD
Professora (aposentada), Faculdade de Medicina Veterinária - Unesp
Co-Presidente do Comitê Científico da WSAVA
Membro do Grupo de Diretrizes de Vacinação da WSAVA
Michael R. Lappin, DVM, PhD, DACVIM (Internal Medicine)
Colorado State University
Presidente do Comitê de Saúde Única da WSAVA

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